A 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre entrou para a história ao reunir cerca de 30 mil corredores e consolidar-se como a maratona mais rápida do Brasil, após a quebra de importantes recordes nas provas masculina e feminina dos 42,195 quilômetros. Entre os atletas que representaram a região da Quarta Colônia no evento, o Jornal Cidades do Vale destaca a participação de Vitória Rodrigues de Oliveira, 29 anos, e Márcia Soares, 34 anos, de Faxinal do Soturno, além da agudense Kelli Cristina Weise Cancian, 34 anos, moradora de Nova Palma.
As três corredoras representam o esforço e a dedicação dos diversos atletas da região que também participaram da competição, levando o nome de seus municípios a um dos principais eventos de corrida de rua do país. Em entrevistas concedidas ao Jornal Cidades do Vale, elas compartilharam suas experiências, desafios e emoções vividos durante a preparação e a participação na maratona. Confira os relatos de cada uma delas.
Vitória Rodrigues de Oliveira - Dois anos
JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr?
Vitória - Sempre estive ativa, mas sentia que faltava algo onde eu pudesse me encontrar e me entregar! Comecei por saúde, e o que me motivou a continuar nisso foi ver meus amigos à minha volta começando também e, assim, criando uma rede de apoio, um grupo, uma família!
JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?
Vitória - Nunca imaginei que seria possível a realização desse desafio, mas, quando começamos a correr, sentimos que podemos ir muito mais longe do que imaginamos, e assim você acaba se encontrando e querendo mais e mais!
JCV - Em algum momento você pensou em desistir?
Vitória - Nunca. Tem, sim, os dias desafiadores, aqueles em que não sentimos vontade, aqueles em que não conseguimos encaixar na rotina, os dias cansativos! Mas, se tu quiser atingir um objetivo de vida, uma meta, enfim, é só tu que pode fazer por você mesma! Então eu ia lá e fazia, e, no final de cada treino, seja ele cansativo ou não, eu dava graças a Deus que fui! E assim continuamos.
JCV - O que mudou na sua vida desde que começou a correr?
Vitória - Aprendi a ser mais paciente, respeitar meu corpo, ter uma rotina, uma vida saudável e, sim, a corrida faz tu enxergar a vida com outros olhos. Você acaba exercitando a gentileza com o outro e, principalmente, a conexão com a fé!
JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo?
Vitória - Apenas comece, esse é o passo mais importante e desafiador! Não se compare, calce teus tênis e vai! Se não fizer por ti, ninguém vai fazer!
JCV - Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre?
Vitória - Esta é a segunda vez que participamos. Ano passado fizemos 21 km e, este ano, os tão sonhados 42,195 km! Uma vivência surreal, uma energia contagiante. Onde todos, na mesma pista, são corredores por igual, uma verdadeira escola!
JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte?
Vitória - Foram nove meses de preparação, três dias por semana com planilhas e três dias da semana com manutenção. Por muitas vezes, treinos longos, cansativos, abrimos mão de muitas coisas em nossa rotina! Tarefa difícil essa de conciliar um ciclo de maratona com nossa vida social, trabalho e casa! Mas nada impossível. Sabíamos muito bem onde queríamos chegar, então, por mais cansativo que fosse, cada treino era comemorado. Ali superamos cada passo!
JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso?
Vitória - O momento mais marcante para mim foi o funil, faltando 2 km para finalizar a prova. Sentir as pessoas torcendo por ti, te incentivando e escutando: “Parabéns, Vitória, tu venceu e é maratonista!”. Isso nos enche de orgulho e emoção! O esporte te cura, te tira da depressão, da obesidade, do luto, dos dias confusos, das aflições! Ele te devolve liberdade, te torna capaz, te devolve uma vida saudável, te faz sonhar e mostra que nada é impossível para o tamanho da fé que tu trabalha dentro de ti!
JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada?
Vitória - Gratidão, orgulho e alívio!
JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?
Vitória - Nada nesta vida é impossível, acredite em ti, Vitória! É só o começo da tua história. Mas, claro, esses 42 km só foram possíveis com o apoio da minha dupla de treino, a Márcia, com quem dividimos muitos sentimentos durante nossos treinos; ao nosso professor, que nos preparou para isso acontecer da melhor forma; e ao nosso CT Start, que nos deu suporte! Além de nossos amigos e familiares.
Márcia Soares, 34 anos - Dois anos de corrida
JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr?
Márcia - Surgiu quando decidi mudar meus hábitos. Eu já tentava correr com meu namorado, mas acabava desistindo por não conseguir.
E, um dia, a convite da Vitória, fui tentar correr novamente e, daí em diante, não parei mais. E foi correndo que comecei a amenizar o luto pela morte da minha mãe. Me ajudou e ajuda muito a me distrair, pensar nela sem dor e entender as fases da vida.
JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?
Márcia - Jamais! Nunca me imaginei correndo, pois tinha muita dificuldade em correr. A primeira vez que corri, fazia apenas alguns metros e parava por não aguentar. Quando fiz meus primeiros 10 km, chorei muito, pois nunca tinha imaginado que conseguiria.
JCV - Em algum momento você pensou em desistir?
Márcia - Muitas vezes. Pois é difícil! Vinham as dores, frustrações e comparações, e, com o tempo, amadureci e aprendi muito com isso. Um dia, cheguei de um treino jurando que não iria mais correr, pois foi um dia ruim. Passaram-se dois dias e eu estava correndo novamente. Aí entendi que a corrida já era parte de mim.
JCV - O que mudou na sua vida desde que começou a correr?
Márcia - Qualidade de vida. Pois ganhei resistência, força, reconheci meu corpo, aprendi a escutá-lo, emagreci 14 quilos e, automaticamente, veio a mudança de hábitos alimentares. Criei uma rotina mais saudável. Qualidade mental. Amadureci, cresci. É correndo que resolvo minha vida. Tenho ideias, planejo minhas aulas correndo e depois só coloco no papel. Nos dias em que quero me desligar, só coloco uma música e não penso em nada, escuto a natureza e aprendi a observar o que está em volta de mim.
JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo?
Márcia - Comece! Não espere o dia perfeito. Não espere o amanhã. Tudo é processo, não se compare, um passo de cada vez. Corrida é persistência.
JCV - Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre, um evento que reuniu mais de 10 mil atletas?
Márcia - Foi emoção! A realização de um sonho desde que comecei a correr. Ano passado, corri meus primeiros 21 km nessa mesma maratona. Um ano depois, eu estava lá de novo, mas para me tornar maratonista. Vi tantas histórias, tanta motivação, todo mundo se apoiando! Foi lindo.
JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte?
Márcia - Foram nove meses de uma rotina intensa quando decidi me desafiar. Faço assessoria com o professor Leonardo Irion há cerca de um ano e meio. São três treinos semanais, além dos treinos de fortalecimento. Tinha semana em que eu treinava seis dias. Aos poucos, a quilometragem ia aumentando no chamado “longão”. Muitos domingos acordei às 4 da manhã para treinar. Deixei muitas vezes de sair porque tinha treino no outro dia. Para se chegar a um objetivo, é necessário ter a mente alinhada, disciplina, foco e persistência, assim como em tudo na vida.
JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso?
Márcia - Na saída, parecia que eu estava sonhando. Eu ainda não acreditava que estava ali, uma sensação de felicidade com um pouco de medo. E, no meio do percurso, passou uma senhora, acredito que moradora de Porto Alegre, que estava passeando com o cachorro e disse: “Vocês são guerreiras e fortes... Levem isso para a vida de vocês”. E, na chegada, aquele corredor de pessoas que nunca me viram na vida batendo na minha mão, chamando meu nome e dizendo que eu era maratonista, comemorando comigo, me parabenizando. Não aguentei e passei a linha de chegada em lágrimas.
JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada?
Márcia - Um mix de sentimentos: alívio, felicidade... Essa linha de chegada só me fez confirmar o quanto somos capazes de realizar tudo. Nada é impossível. Tenho certeza de que todo mundo que passou por aquela linha de chegada se tornou uma pessoa melhor.
JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?
Márcia - Não se compare, curta o processo com leveza, não se cobre! Não é fácil, mas jamais pense em desistir!
Kelli Cristina Weise Cancian, 34 anos - Iniciou na corrida em agosto de 2024
JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr?
Kelli - O interesse em iniciar na corrida surgiu após uma caminhada com minha mãe no interior de Agudo em agosto de 2024.
JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?
Kelli - Sim, logo que iniciei sempre tinha uma meta e objetivo de quilometragem que eu gostaria de alcançar.
JCV - Em algum momento você pensou em desistir?
Kelli - Não. Nos treinos de corrida já passei por vários altos e baixos relacionado a sentimentos, mas nunca me passou em parar e desistir.
JCV - O que mudou na sua vida desde que começou a correr?
Kelli - Sou mais disciplinada e mais encorajada perante aos desafios da vida no dia-a-dia.
JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo?
Kelli -Inicie e se desfie. Você não imagina do que és capaz.
JCV - Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre?
Kelli - Foi um misto de sentimentos. Uma prova espetacular do início ao fim.
JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte? Kelli -Treino corrida 4x na semana, musculação 3x na semana e exercícios de mobilidade corporal 1x na semana. Além do cuidado com a alimentação.
JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso?
Kelli - Os últimos dois quilômetros. Pois o corpo estava já quase sem força, porém a torcida gritava lhe dando essa força para poder finalizar o percurso.
JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada?
Kelli - Gratidão a Deus, por ter conseguido finalizar a prova.
JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?
Kelli - Confia, você vai desbravar muita força que nem imagina que tens.
Jussara Bortoluzzi, de 50 anos, compartilha pela primeira vez a história dela e do seu filho
O Jornal Cidades do Vale abre espaço para o amor. Aquele mais puro, carregado durante anos e que, no momento certo, aconteceu. Com o intuito de inspirar e mostrar que a vida, por meio do universo, de Deus ou de qualquer que seja a crença, se desenha exatamente como precisa ser, a secretária da Fazenda de São João do Polêsine, Jussara Bortoluzzi, de 50 anos, compartilha pela primeira vez a história dela e do filho.
Jussara adotou o pequeno e, em muitos momentos da entrevista, deixou até uma dúvida no ar: será que não foi ele quem escolheu e adotou a mãe Jussara?
Ela conta que a decisão pela adoção nasceu de algo que, segundo ela, sempre existiu dentro do coração, o amor pelo cuidado. “Durante toda a minha vida profissional, ouvi muitas vezes as pessoas dizerem: ‘ela é uma mãezona’, ‘ela ajuda todo mundo’. E isso acabou se tornando uma marca da minha trajetória: estar presente, acolher, cuidar, tratar com carinho e oferecer apoio. Era algo muito natural em mim”, relatou.
Jussara conta que esse jeito de ser foi construído pelos valores recebidos da família e pela convivência próxima com os pais, irmãos e sobrinhos. “Eu cresci vendo união familiar, cuidado e presença. Tudo isso moldou em mim um amor muito grande pelo acolhimento e pela dedicação ao outro”, afirmou.
Com uma vida profissional intensa, a maternidade acabou ficando para depois. Vieram as dificuldades para engravidar naturalmente, tratamentos médicos e, junto deles, o desgaste emocional. “Chegou um momento em que algo ficou muito claro dentro de mim: talvez eu não precisasse mais insistir naquele caminho. Talvez eu pudesse transformar todo aquele investimento em amor e cuidado”, disse.
Foi então que surgiu a decisão pela adoção. Jussara procurou a Vara da Infância e Juventude do Fórum de Santa Maria para entender como funcionava o processo de habilitação. “Eu fui até o segundo andar do Fórum para buscar informações sobre os documentos necessários. Recebi a lista, organizei tudo e levei de volta. E ali também tomei uma decisão muito importante: eu faria isso sozinha”, contou.
Ela explica que o processo exige preparo emocional e maturidade. Entre as etapas, um dos momentos mais delicados foi o preenchimento do formulário sobre o perfil da criança. “É impossível passar por aquilo sem ser profundamente tocada. Existem perguntas sobre idade, sexo, cor, se você aceita irmãos, gêmeos, crianças com deficiência ou alguma condição de saúde. Cada resposta carrega sentimentos, reflexões e responsabilidades muito grandes”, destacou.
Depois da entrega dos documentos, vieram entrevistas com psicóloga, assistente social, encontros com o juiz e reuniões com outros pretendentes cadastrados no Sistema Nacional de Adoção. “Muitas pessoas me perguntam sobre o tempo de espera, mas isso está diretamente ligado às características indicadas naquele formulário preenchido no início da habilitação”, explicou.
Após dois anos e meio com a habilitação concedida, Jussara passou pela renovação do processo, realizando novamente entrevistas e avaliações. “Esse é um cuidado muito importante da Vara da Infância e Juventude. Durante esse período, a vida das pessoas pode mudar. Existem casais que engravidam, pessoas que mudam a rotina, a estrutura familiar ou emocional. Então essa renovação não é apenas burocracia, mas uma forma de garantir que aquela criança encontre um lar preparado para recebê-la”, afirmou.
Paralelamente ao processo, ela também participou dos grupos de apoio e incentivo à adoção oferecidos pelo Fórum. “Foram encontros muito importantes, de troca, acolhimento e preparação. Conviver com outros pais adotivos e ouvir profissionais falando sobre adoção ajudou muito a preparar meu coração para aquele momento tão esperado: a ligação dizendo para buscar meu filho”, relembrou.
E então veio a ligação. “Hoje faz um ano e cinco meses da chegada do meu filho. Na minha ficha, eu não tinha preferência por sexo, mas costumo dizer que foi ele quem me escolheu”, disse emocionada. A chegada do menino transformou completamente a vida da família. “Eu não sabia o quanto eu precisava dele, e não ele de mim, como muitas vezes as pessoas imaginam quando falam sobre adoção”, afirmou.
Jussara também faz questão de destacar que a adoção exige adaptação e construção de vínculo, assim como qualquer maternidade. “As pessoas às vezes imaginam que tudo acontece instantaneamente, mas existe um processo de construção do amor. Você recebe uma ligação e naquele momento conhece o seu filho. O amor vai sendo construído todos os dias, no convívio, no cuidado, na presença, na entrega, no cansaço físico e emocional. Tudo igual”, relatou. “Assim se constrói um amor incondicional que eu não consigo descrever, apenas sentir”, completou.
Ela destaca ainda que o apoio da família foi essencial durante a adaptação. “Poder contar com meus pais, irmãos, sobrinhos e os dindos fez toda diferença. Em especial minha mãe e minhas cunhadas, que se tornaram apoio e referência nessa caminhada”, afirmou.
Uma frase dita pela afilhada resume, segundo ela, o sentimento vivido pela família desde a chegada do menino. “Ela disse: ‘Como conseguimos viver até agora sem o nosso príncipe?’. E eu acho que isso resume muito tudo o que ele representa para nós”, contou.
Jussara afirma que nunca teve dúvidas de que o filho seria amado. “O carinho das pessoas do meu trabalho, da comunidade onde vivem meus pais e meus irmãos, e de todos que convivem conosco é algo que me emociona profundamente”, disse.
Ao compartilhar a própria história, ela afirma receber mensagens de pessoas inspiradas pela experiência e deixa um conselho para quem sente o desejo da adoção nascer no coração. “Se existir qualquer vontade, qualquer ‘eu gostaria’, dê o primeiro passo. Vá até o Fórum. Porque o mais importante é começar. O caminho pode até ser longo, mas o amor que espera do outro lado faz tudo valer a pena”, declarou.
E encerra com uma frase simples, mas carregada de sentimento. “Ele é o grande amor da minha vida”.
A Ford também faz parte da história de Agudo. Em diversas ocasiões, o veículo foi utilizado nos desfiles do município, levando soberanas do município e da terceira idade.
Uma relíquia que guarda boas lembranças. Essa pode ser a definição da Ford F1 1950 da moradora de Agudo Jossane Franke Costa. No dia 13 de maio, é celebrado o Dia do Automóvel e, para marcar a data, a reportagem do Jornal Cidades do Vale conheceu mais sobre essa história.
Jossane conta que a Ford foi adquirida em 2004, em Curitiba. “Meu marido, Mário, saiu para caminhar pelas ruas e se deparou com ela em uma mecânica. Foi bater o olho e já perguntar se estava à venda. Depois da negociação, voltamos para casa e, na outra semana, fomos buscá-la”, relembra.
De acordo com Jossane, o veículo precisou passar por uma reforma. “Ela era usada para tuning, então tinha grafitagem, e resolvemos mudar e reformar. Fizemos isso no Paraná mesmo. Ela é dos antigos da classe Hot, ou seja, mantém o formato original, mas possui modificações. As rodas são maiores, o paralama traseiro também, ela é a diesel e a mecânica passou por algumas alterações”.
Jossane explica ainda que sempre acompanhou o marido e que ele fazia questão de incentivá-la a dirigir e entender sobre o veículo. “Muitas vezes as pessoas se perguntam: ‘Mas ela é mulher, como anda? Como entende?’. E foi justamente por isso. Felizmente, nós sempre compartilhamos muito as coisas e, com a Ford, era da mesma maneira. Eu acompanhava, ele me contava o que iria fazer e, assim, aprendi muitas coisas”, destaca.
Mário faleceu há quatro anos e, emocionada, Jossane conta que a missão desde então é seguir com a Ford, mantendo viva a história e as lembranças da família. “Ela é o nosso xodó, como eu digo. Enquanto eu existir, e acredito que meus filhos também, vamos manter ela. Eles cresceram andando nesse carro e o Mário amava isso aqui. Precisamos preservar essa história. Cada vez que saio com ela, lembro dos bons momentos que vivemos. Sempre quisemos ela para usar, não como carro de colecionador. A gente viajava, fomos para vários lugares com ela, como Punta del Este. Também participávamos de encontros de carros em São Marcos, Teutônia, que eram uns dos maiores, e também em outras cidades da região. Queríamos que ela fosse funcional mesmo, um carro para andar, por isso também as adaptações”, relata.
A Ford também faz parte da história de Agudo. Em diversas ocasiões, o veículo foi utilizado nos desfiles do município, levando soberanas do município e da terceira idade. “Eles nos convidaram e nós topamos. Faz muitos anos que fazemos isso. Depois que o Mário faleceu, fiquei meio pensativa, mas depois entendi que ele ficaria feliz, tanto pelo convite que continuou sendo feito pela administração, quanto por eu seguir colaborando. E é assim que tenho feito”, afirma.
Jossane revela ainda que já recebeu diversas propostas de compra. “Ela chama a atenção, principalmente de quem gosta de carros antigos. Já recebi várias propostas, mas ela não tem preço, jamais vou vender. Além disso, as pessoas pedem para tirar fotos e eu deixo à vontade, porque sei que quem admira fica feliz com isso, em poder ver, perguntar e guardar uma lembrança em fotografia”, comenta.
Jossane e Mário César Costa foram casados por 32 anos e, durante 20 deles, o casal viveu em Agudo.
As ruas de Faxinal não serão mais as mesmas desde a tarde da última terça-feira, quando se espalhou a notícia de que Orides Alves, o folclórico “teche” ou Cantor das Andorinhas, havia sido encontrado sem vida próximo à Ponte do Rio Soturno que liga a Santos Anjos, trajeto que fazia a pé seguidamente, cantando, e normalmente, embalado por alguma “canjibrina”.
Qualquer adulto, jovens e até crianças conheciam o Teche. Ele era uma figura folclórica pelas ruas da cidade, com seu cantar característico, com seus bordões criativos, e com os mais próximos, ele se referia como “o amigo do cantor”. Para as crianças, as “pequetititas”, como se referia a elas, conhecia a maioria e sempre se referia com alguma palavra de carinho.
A sua voz inconfundível dobrava as esquinas. “Lá vem o Teche”, diziam todos, cantando suas músicas preferidas, Cristian e Ralf, Barreirito, ou Querência Amada. Só mudava em época de eleições, quando, conforme a conveniência, e até para ganhar um troco, interpretava os jingles das campanhas. Apesar de ser quase que um homem de rua, tinha o respeito de todos.
Nunca soube de alguém que lhe tenha negado seja um prato de comida, um cobertor, um casaco, ou seja lá o que for para lhe dar um pouco mais de alento. Assim, como nunca soube que tenha desrespeitado alguém ou se apropriado de alguma coisa que não era dele. Até quando necessitava de algo, seja para comer, ou até para um trago, o fazia com toda discrição, pois dizia que não gostava de fazer aquilo.
Quase que diariamente passava em frente à minha casa e sempre interagia. Dias desses, até me disse, acho que sentindo o peso da idade, que precisava parar com a bebida, pois a mesma estava o levando à morte.
Não sei se foi por isso que se foi, mas certamente deve ter colaborado. Sentiremos a falta do Teche, pelas ruas, e também aqui na rádio, onde quase que diariamente vinha pedir uma música. As gurias da secretaria já sabiam que era Camisa Manchada, com Cristian e Ralf ou alguma outra com Barreirito.
Como termômetro do carinho que o povo de Faxinal tinha para com ele, é só olhar para as redes sociais e ver o engajamento que teve a repercussão da sua morte. Não deixou nenhuma marca de desenvolvimento, sempre muito valorizado, mas deixou o exemplo de que, mesmo vivendo miseravelmente, é possível fazer o bem e deixar saudades.
Vá em paz, Orides. Chega lá no céu e cante para os anjos: “As andorinhas voltaram, e eu também voltei…”
Coluna de opinião por: Zenóbio Osmari
O Jornal Cidades do Vale contou, nesta semana, a história de Maridreia Garlet, de 47 anos. Infelizmente, na manhã desta segunda-feira (30), recebemos a notícia de seu falecimento. Em nome da redação do Jornal Cidades do Vale, expressamos nossos sentimentos aos familiares e amigos. Como forma de homenagem, convidamos os leitores a conferirem a matéria especial realizada com ela. Maridreia colecionava cerca de duas mil piranhas de cabelo.
Maridreia foi diagnosticada, aos nove meses de idade, com epilepsia, uma condição neurológica
O Jornal Cidades do Vale desta semana foi até a localidade de Linha Grande, em Dona Francisca, para conhecer a história de Maridreia Garlet, 47 anos. A reportagem foi recebida pela mãe, Jandira de Pellegrin, que de imediato apresentou a filha e também sua coleção de piranhas de cabelo.
Maridreia foi diagnosticada, aos nove meses de idade, com epilepsia, uma condição neurológica caracterizada por crises recorrentes provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro. As manifestações variam e podem incluir convulsões, perda de consciência, movimentos involuntários e alterações sensoriais ou comportamentais.
A mãe conta que a filha coleciona piranhas há cerca de 10 anos. “Depois que o pai faleceu, ela começou com isso, e a coleção foi aumentando. No começo eu comprava algumas, depois as pessoas passaram a dar para ela, e até hoje é assim. Quem conhece já sabe e traz, e ela fica muito feliz com cada uma que ganha.”
Segundo Jandira, na parede do quarto já há mais de duas mil peças. “Ela vem para o quarto, começa a trocar de lugar, organizar, e sabe de cada uma: quem deu e de onde veio. Às vezes, vê uma fora do lugar e já diz que fui eu que mexi. A felicidade dela é ficar lidando com isso.”
A morte do irmão, há quatro anos, intensificou ainda mais o apego aos objetos. “Quando o irmão morreu, ela passou a gostar ainda mais. Agora ela está mais debilitada, mas vem aqui e fica horas em função disso. Não sei explicar o que ela sente, mas a gente vê que ela fica bem.”
Além da parede, improvisada com fios para acomodar a coleção, Maridreia também usa as piranhas no cabelo. “Ela coloca várias. Às vezes venho ver e ela está com a cabeça cheia de piranhas, todas coloridas.”
Emocionada, a mãe destaca as dificuldades. “Não é fácil. Os últimos dias têm sido mais complicados, ela esteve na UTI, então a gente fica atento à saúde dela, mas é um desafio. Ela é tudo que eu tenho, é a minha vida.”
A reportagem também fez questão de presentear Maridreia com uma piranha para a coleção.
É a emissora líder na região da Quarta Colônia de imigração Italiana do Rio Grande do Sul, fundada em 1° de fevereiro de 1975, e sua abrangência cobre todo o território da Quarta Colônia.
Somos uma Emissora segmentada em jornalismo, em especial, Local e Regional, onde procuramos, em conjunto com as forças vivas destes municípios, de forma integrada buscar o desenvolvimento de toda esta Região. Procuramos sempre fazer um rádio propositivo, para mantermos vivo nosso slogan de ser sempre " A Voz da Quarta Colônia".
Tiragem: 2.500 exemplares
Circulação: Agudo, Dona Francisca, Camobi, Faxinal do Soturno, Santa Maria, Ivorá, Nova Palma, São João do Polêsine, Pinhal Grande, Silveira Martins, Restinga Sêca.
É líder em audiência no seu segmento, com abrangência de mais de 40 municípios. Muita musica, entretenimento e interação com o público são suas características e sua audiência e liderança crescem cada vez mais.
Veja a lista de cidades que nossa cobertura de sinal atinge:
Agudo;
Alto Alegre;
Arroio do Tigre;
Boa Vista do Incra;
Caçapava do Sul;
Cacequi;
Cachoeira do Sul;
Campos Borges;
Candelária;
Cerro Branco;
Cruz Alta;
Dilermando de Aguiar;
Dona Francisca;
Encruzilhada do Sul;
Espumoso;
Estância velha;
Faxinal do Soturno;
Formigueiro;
Fortaleza dos Valos;
Ibarama;
Itaara;
Ivorá;
Jacuizinho;
Jaguari;
Jari;
Jóia;
Júlio de Castilhos;
Lagoa Bonita do Sul;
Lagoão;
Mata;
Nova Palma;
Novo Cabrais ;
Paraíso do Sul;
Passa Sete;
Passa Sete;
Pinhal Grande;
Quevedos;
Quinze de Novembro;
Restinga Seca;
Rosário do Sul;
Salto do Jacuí;
Santa Margarida do Sul;
Santa Maria;
Santana da Boa Vista;
São Gabriel;
São João do Polêsine;
São Martinho da Serra;
São Pedro do Sul;
São Sepé;
São Vicente do Sul;
Segredo;
Silveira Martins;
Sobradinho;
Toropi;
Tunas;
Tupanciretã;
Vila Nova do Sul;
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