O olhar atento de Erni Böck, 79 anos, ajuda a contar boa parte da história de Agudo. Mais do que apenas registrar imagens, ele eternizou, por meio das lentes da câmera, os principais fatos e transformações do município. A reportagem do Jornal Cidades do Vale foi conhecer um pouco mais da trajetória de quem fez da fotografia um compromisso com a memória coletiva.
Servidor público aposentado, Erni teve o primeiro contato com a fotografia ainda muito jovem, com 17 anos. Segundo ele, em uma das viagens do pastor Rudolf Brauer à Alemanha, acabou ficando como caseiro e, no retorno, foi surpreendido com um presente que mudaria sua vida. “Eu fiquei de caseiro para ele e quando ele voltou, me trouxe a câmera. Eu nem sabia como mexer, mas foi ali que tive meu primeiro contato com a fotografia. Tenho ela guardada até hoje”, recorda.
Em 1996, ao se aposentar do serviço público, a fotografia passou a ocupar um espaço ainda maior em seu cotidiano. “Foi nesse período que a fotografia ficou mais séria na minha vida, podemos dizer mais profissional. Registrei momentos importantes, como a construção da barragem. Acompanhei toda a obra, do início ao fim de 1998 a 2001. A partir daí, a fotografia passou a fazer parte da minha vida, inclusive como fonte de renda”, relembra.
Alguns registros permanecem vivos na memória de Erni. Um deles é a queda da ponte sobre o Rio Jacuí, em 2010, durante uma enchente histórica. “Eu estava percorrendo os pontos de alagamento e me deslocava em direção à ponte quando parei no Cerro Chato, um pouco antes, porque vi um menino carregando uma bateria, o instrumento musical no meio da água. Quando voltei para o carro, ouvi na rádio local o desespero do repórter noticiando a queda da ponte. Gelei na hora, primeiro por não entender direito o que tinha acontecido e depois porque, se eu não tivesse parado ali, certamente estaria em cima da ponte fotografando”, contou.
Outro capítulo marcante em sua trajetória são os registros da neve em Agudo, fenômeno raro no município. “Um amigo que morava na Linha dos Pomeranos me avisava sobre a situação do tempo. Quando havia possibilidade de neve, eu ia para lá. Presenciei três vezes: em 1984, que foi a mais intensa, depois em 1994 e, por fim, em 2000. São momentos que me marcaram muito e que estão guardados em imagens”, relata.
Entre os fatos mais recentes, Erni destaca o acompanhamento da pavimentação asfáltica da Avenida Euclides Kliemann. “Fiz todo o registro do trabalho e fiquei muito feliz em receber o reconhecimento da prefeitura no dia da inauguração. Foram muitos momentos importantes ao longo desses anos”, afirma.
O acervo de Erni impressiona: são cerca de 330 mil fotografias e 120 mil vídeos. “Tenho tudo guardado. Antes da fotografia digital, trabalhávamos com filmes, então digitalizei todo esse material. Está tudo no computador, são cerca de cinco terabytes de arquivos”, explica.
Ele também relembra os tempos em que a fotografia exigia ainda mais paciência. As imagens em preto e branco eram reveladas por ele mesmo, em um laboratório montado em casa. Já as coloridas, inicialmente, eram enviadas para revelação na Amazônia, pelos Correios. “Depois passaram a ir para São Paulo, Santa Maria e, por fim, eu levava para o Estúdio Gama, em Faxinal do Soturno. Quando era na Amazônia, levava de duas a três semanas para a foto voltar. A gente fotografava e esperava até 14 dias para ver o resultado, muito diferente de hoje, quando tudo é instantâneo”, comenta.
Ao longo da carreira, Erni também atuou intensamente na cobertura de eventos. “Tinha uma microempresa, contratava pessoas para ajudar e fazíamos eventos praticamente todos os fins de semana: festas de 15 anos, bodas, formaturas. Era possível ter uma boa renda com isso, mas tudo mudou com a chegada do celular”, observa.
Em 2020, durante a pandemia, Erni encerrou oficialmente a atividade profissional na fotografia. “Fechei a empresa, mas sigo fotografando, porque gosto muito. Hoje faço mais por hobby. Fico feliz com tudo o que foi construído, foram muitos momentos eternizados, alguns felizes, outros nem tanto. Uma frase que escutei e levo para a vida resume bem isso: ‘Uma foto eterniza momentos, aqueles que não vão se repetir mais’”, conclui.
O Fusca do faxinalense é do ano 1976, modelo que completa 50 anos de fabricação
Poucos carros marcaram tanto a história quanto o Fusca. Verdadeiro ícone mundial, o modelo é cercado por histórias, curiosidades e por uma paixão que atravessa gerações.
Nesta reportagem, vamos falar sobre esse clássico atemporal e conhecer um pouco mais da relação do faxinalense Adair Ruviaro, 70 anos, com o seu Fusca.
Adair relembra como foi o primeiro contato com o modelo. “O gosto por Fusca começou quando eu trabalhava na Rádio São Roque, tinha cerca de 20 anos. Eu era vendedor à época e saía com o Azulão da rádio, como a gente o chamava. Ali comecei a gostar, mas era mais um apreço, pois eu trabalhava com ele. Lembro que naquela época, até mesmo fizemos algumas viagens a Porto Alegre, a serviço, o Melão e eu”, conta. Mais tarde, Adair deixou a rádio para concluir a faculdade de Direito, profissão que exerce até hoje.
Ao longo da vida, Adair teve três Fuscas. “Os dois primeiros não eram conservados. Este terceiro, sim. Estou com ele há aproximadamente 18 anos. Hoje, além de um mecânico em Faxinal, tenho em Santa Maria, um especialista em carros antigos, o que me permite manter uma boa manutenção”, explica.
A história com o Fusca amarelo começou após um atendimento profissional. “Uma Senhora do interior de Restinga veio fazer um serviço e sempre chegava de Fusca. Perguntei se ela queria me vender, mas ela disse que não. Com o passar do tempo, soube que ela havia falecido, então entrei em contato com os seus familiares que possibilitaram a aquisição. Eles aceitaram, mas necessitavam regularizar a documentação. Um dia me ligaram dizendo que eu poderia buscá-lo, e desde então estou com ele”, relata.
O carro, segundo Adair, não fica parado. “Eu uso bastante. Vou para o interior, não sou daqueles colecionadores que só guardam. Tem lugares onde o meu outro automóvel não vai, mas o Fusca consegue. Faço a manutenção direitinho, mas a ideia é usar, vou com ele inclusive seguidamente a Santa Maria”, afirma.
O Fusca também chama a atenção por onde passa. Adair conta que é comum as pessoas pedirem para tirar fotos. “Quem gosta percebe que ele é bem conservado. Sou o seu segundo proprietário e quando comprei, tinha cerca de 40 mil quilômetros rodados e hoje ele mantém mais de 80% das peças originais”. Um fato curioso é que o veículo já foi utilizado em dois casamentos: o sócio Jonas levou a noiva até a cerimônia na igreja das Dores em Santa Maria com o Fusca, e a faxinalense Márcia Dalmolin também escolheu o carro para o seu casamento.
A paixão pelo Fusca também passa de geração em geração. A neta Laura, quando vem a Faxinal, já tem um carro preferido. “Ela sempre pede para andar de Fusca, e a gente vai. É uma alegria para ela e para mim poder proporcionar isso”, comenta.
Questionado sobre uma possível venda, Adair é direto na resposta. “Não vendo. Já me ofereceram valores, mas nem sei como está o mercado, porque não procuro saber. Não vendo”, finaliza. O Fusca de Adair é do ano 1976, modelo que completa 50 anos de fabricação.
Saiba mais sobre a história do Fusca:
O Fusca teve sua origem em 1938, na Alemanha, mas sua produção em larga escala foi interrompida pela Segunda Guerra Mundial, sendo retomada em 1945. No Brasil, o modelo chegou em 1950, inicialmente importado, e passou a ser produzido nacionalmente pela Volkswagen em 1959, na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).
Ao longo das décadas, tornou-se o carro mais popular do país, com produção contínua até 1986, quando saiu de linha pela primeira vez. O modelo retornou por um período entre 1993 e 1996, atendendo a um incentivo governamental, e teve sua produção encerrada definitivamente no Brasil em 1996. Mesmo após o fim da fabricação, o Fusca permanece como um dos automóveis mais emblemáticos da história brasileira.
Vicente de Mello, 83 anos, morador de Faxinal do Soturno, que desde menino sonhava em voar e, com esforço e persistência, transformou o sonho de infância em realidade, cruzando os céus da região e de fora dela
O Dia do Aviador, celebrado em 23 de outubro, homenageia os profissionais que dedicam suas vidas à aviação e simboliza o espírito de coragem, inovação e liberdade que impulsiona o homem a conquistar os céus. A data marca o feito histórico de Alberto Santos Dumont, que, em 1906, realizou o primeiro voo homologado de uma aeronave mais pesada que o ar, o 14-Bis, em Paris. Além de recordar essa conquista pioneira, o dia também reconhece a importância da aviação civil e militar para o desenvolvimento, a integração e a defesa do país.
Para marcar a data, a reportagem do Jornal Cidades do Vale foi conhecer a história de Vicente de Mello, 83 anos, morador de Faxinal do Soturno, que desde menino sonhava em voar e, com esforço e persistência, transformou o sonho de infância em realidade, cruzando os céus da região e de fora dela.
Vicente conta que desde cedo precisou trabalhar na roça, mas a aviação sempre teve um espaço nos seus planos de vida. “Eu pensava muito, e quando fui crescendo, percebi também que era algo caro, não era tão acessível assim, mas eu não desisti. A vida me trouxe muitas experiências e desafios, desde novo, saí de casa, e fui construindo a minha trajetória”, contou ele.
Vicente viajou o país dentro da cabine de um caminhão, e foi desse trabalho que conseguiu realizar o sonho da infância. “Em 1969 eu iniciei um curso teórico para ser piloto, mas era muito difícil, muita matemática, física, e conhecimento gerais, tudo era muito exato, na aviação não existe ‘e se’, é, ou não é, tem que ser ou não, acabei parando. Mais tarde retomei, era em Santa Maria, o Aero Clube da Base Aérea as aulas, e de 20 alunos, três passaram para a fase prática, e entre eles estava eu, o primeiro classificado, mais uma mulher, e mais um homem, foi desafiador, mas a minha experiência de vida, de conhecimento, me ajudou muito.”
Após a teoria, Vicente passou por diversos exames, um deles psicotécnico, que ele considera importantíssimo para quem vai pilotar. “É neste exame que muito se define, e que vai fazer sentido lá na frente, quando a gente passar por situações. É avaliado as nossas reações em caso de perigo, medo, e eu consegui passar”, contou. Já no aeroclube, o qual frequentava nos finais de semana, quando conciliava com o trabalho no caminhão, Vicente conta que não perdia oportunidades. “Eu me dedicava bastante, sempre que tinha voo, eu ia. Eu sempre achei muito fácil pilotar, ainda acho que tem coisas que fiz e faço que são muito mais difíceis”. Vicente recebeu sua Carteira Oficial do Ministério da Aeronáutica, como aeronauta e piloto, com 36 horas de vôo. E com 200 horas praticadas, Vicente foi chamado pelo Comandante da Fab da Base Aérea para entrega de outra carteira como piloto da reserva.
Entre os fatos curiosos da época, ele lembra que médicos receitavam voos para o tratamento da asma. “Muitos voos eu fiz com crianças que eram encaminhadas pelos médicos para o aeroclube. De acordo com eles, era necessário fazer voos de uma hora, a quatro mil e quinhentos metros de altura. Isso foi algo que me marcou e lembro até hoje.”
Ao longo do tempo, Vicente fez diversos voos. Os principais destinos das viagens eram Porto Alegre, Torres, Capão da Canoa e Lages, em Santa Catarina, onde, conforme ele, eram feitos os consertos dos aviões, pois lá havia uma oficina especializada e de referência.
Na memória, além dos grandes feitos, Vicente guarda também momentos de apreensão. Foram dois acidentes que ele detalhou à reportagem. O primeiro aconteceu voltando de São Sepé. “Estourou o motor, e eu precisei usar os ensinamentos que tive durante o curso, o primeiro deles, agilidade e reflexos rápidos, o que eu particularmente acho que são qualidades que o ser humano tem e não sabe. Com muita cautela, recebi as instruções da torre de controle e consegui fazer o pouso. Lembro que tinha outro avião também pousando e consegui parar o avião praticamente embaixo da asa dele, e evitei algo pior. Foi um susto, mas que me fez perceber que o meu equilíbrio emocional estava em dia, se eu me desesperasse poderia ter sido pior e quem sabe não estaria aqui para contar essa história”, disse ele.
O segundo acidente ocorreu na Quarta Colônia. Vicente conta que recebeu o pedido da Paróquia São Roque, pois, estavam em preparativos da Festa do Padroeiro do Município de Faxinal do Soturno, para espalhar os panfletos de propaganda da festa do padroeiro, o qual, foi ofertado o voo como patrocínio, ao sobrevoar a região, na localidade de Sítio dos Mellos, percebi que o avião estava perdendo a força no motor. "Estava presente no voo eu como piloto, e o amigo Amir Trevisan, Cacique, (Em memorium), ele me acompanhava para fins de soltar os panfletos da festa, e tirar fotos das paisagens. E estava tudo certo, até que percebi uma diminuição na rotação, tentei acelerar, e o avião não respondeu, vou precisar pousar rapidamente, em segundos, mapeei a região em que estávamos, e tive rápida decisão de aterrissar o avião com segurança na estrada de acesso a cidade de Ivorá, o qual, não tivemos ferimentos algum, ficamos rindo do acontecido, ainda comentamos, estamos firmes, salvos e fortes, não foi desta vez que partimos desta, Lembro que um dentista que atuava na região chegou e perguntou se já tinham levado os feridos, e eu disse 'não, somos nós dois, estamos inteiros'. O acidente ocorreu em 12 de agosto de 1977 e Vicente conta que não cobrou nada da comunidade para largar os panfletos nas cidades.
Mesmo com os sustos, Vicente seguiu fazendo voos. Em 1984, ele encerrou a vida de piloto e fez o último voo para Pelotas. “Foi um período muito feliz, eu sempre quis, e vivi isso. Aprendi muito, conheci pessoas, foi uma época que eu recordo com muito carinho. Não sinto saudades, porque acho que foi o tempo que tinha que ser.”
Adepto da leitura, Vicente se mantém ativo. “Conheço lugares que nunca fui, mas que a leitura me permitiu. Sempre gostei de me informar, de atualizar, saber coisas diferentes. E assim fui norteando a minha trajetória. Tive dificuldades, desafios, mas eu olho para trás e vejo o quanto valeu a pena. Sou muito discreto, busco seguir o meu caminho. Sempre desejando o bem para todos”, finalizou.
O casal Isadora Dalmolin Tronco e Paulo Cesar Landim Filho, natural de Faxinal do Soturno, e atualmente moradores de Capão da Canoa, teve uma experiência emocionante e inesquecível durante a audiência do Papa Leão na Praça São Pedro, em Roma. O momento especial aconteceu quando o Pontífice pegou no colo o filho do casal, Miguel Dalmolin Landim, ainda bebê, em meio a mais de 60 mil pessoas presentes. Confira a entrevista da reportagem do jornal Cidades do Vale com a mãe do Miguel, isadora, que é filha da professora Márcia Dalmolin:
JCV - Como foi o instante em que o Papa pegou seu filho no colo?
Foi um momento de pura emoção. Quando o Papa o pegou no colo, parecia que o tempo tinha parado. Ver o Santo Padre, com tanta ternura e simplicidade, acolher o Miguel foi algo indescritível, uma daquelas cenas que a gente sabe que vai guardar pra sempre na memória.
JCV - Você esperava que algo assim acontecesse ou foi totalmente inesperado?
Totalmente inesperado. Estávamos felizes apenas por participar da audiência e ver o Papa de perto já seria uma bênção, já que havia mais de 60 mil pessoas na Praça São Pedro para a audiência dessa quarta-feira. Mas quando o papamóvel se aproximou e o segurança pegou o Miguel, entregando-o para o Papa, foi um presente que jamais poderíamos imaginar.
JCV - Qual foi a sua reação ao ver o Papa tão próximo de vocês?
Meu coração disparou. Eu senti uma mistura de alegria, reverência e uma gratidão imensa. É impossível não se emocionar vendo o Papa tão perto, com aquele olhar sereno e aquele gesto de amor tão genuíno.
JCV - O que passou pela sua cabeça naquele momento?
Pensei em como Deus é bom e em como a fé realmente se manifesta nos detalhes. Lembrei de todas as orações que fiz desde a gestação e senti como se o Miguel estivesse sendo colocado sob a proteção direta de Deus, pelas mãos do Papa Leão.
JCV - Como você descreveria a emoção de ver seu filho nos braços do Papa?
É uma emoção que ultrapassa as palavras. Foi como ver um encontro entre o Céu e a Terra. Meu filho, ainda tão pequeno, sendo acolhido por aquele que representa Cristo aqui. É um símbolo de fé e amor que vai nos acompanhar por toda a vida.
JCV - Como você vai contar essa história para ele quando for maior?
Vou contar que, ainda bebê, ele foi abraçado pelo Papa e abençoado de uma forma muito especial. Que esse gesto seja para ele um lembrete de que foi amado e abençoado desde o início, e que deve sempre seguir com fé, humildade e amor no coração.
JCV - O que você leva de experiência para a vida?
Levo a certeza de que Deus se manifesta nos momentos mais simples e inesperados. Foi um convite à fé viva, à gratidão e à lembrança de que somos pequenos diante da grandiosidade do amor divino.
JCV - Algo que queira acrescentar:
A presença do Papa Leão tem uma doçura difícil de explicar. Ele transmite paz apenas com o olhar. Ver o Miguel ser acolhido por ele foi mais do que uma bênção — foi um sinal concreto de amor e esperança em tempos em que o mundo tanto precisa disso.
Foi o tipo de experiência que marca não só uma viagem, mas uma vida inteira.
Saulo Antônio Zasso, 68 anos desde pequeno, acompanhado do pai e do avô, aprendeu o ofício de fazer botas e chinelos de forma artesanal
O sapateiro é o profissional responsável por confeccionar, consertar e restaurar calçados, preservando uma arte manual que atravessa gerações. Em tempos de produção em massa, o ofício resiste como símbolo de paciência, precisão e tradição. O Jornal Cidades do Vale foi conhecer a história de Saulo Antônio Zasso, 68 anos, natural de Nova Palma e morador de Faxinal do Soturno desde 1988. Desde pequeno, acompanhado do pai e do avô, aprendeu o ofício de fazer botas e chinelos de forma artesanal.
Zasso explica que o processo de produção exige atenção e cuidado em cada detalhe, diferindo totalmente da rotina industrial. “É tudo muito personalizado. Os cortes do couro são feitos na faca, é muito mais artesanal, e por isso o produto acaba sendo diferenciado”, contou.
Segundo ele, as botas e chinelos saem prontos de seu pequeno ateliê. “Faço tudo aqui. O couro vem de Erechim e, conforme os moldes, faço os cortes e inicio a produção. Trabalho ainda com máquinas antigas, o que dá um toque especial ao resultado. Hoje tudo é muito moderno”, explica.
Recentemente, Zasso se sentiu desafiado após saber da exposição no Museu Histórico Municipal de Nova Palma, que apresentou as botas de Francisco Guerreiro, o Gigante. A mostra ocorreu após uma negociação com o Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre. Como as botas originais retornariam à capital, ele decidiu confeccionar uma réplica.
“Fiquei enlouquecido. Ia lá ver, fazia as medidas pelo vidro. Foi desafiador. Em casa, ficava só pensando nas botas. Levei três semanas para terminá-las. Ficaram bem parecidas, até. Queria que o meu pai tivesse vivo para ver isso”, emociona-se.
Além das botas e chinelos, Zasso também demonstra grande apreço por outras peças artesanais. Cada objeto carrega uma história: como foi adquirido, o que o inspirou e qual foi o processo de criação. Pela casa estão espalhados os objetos produzidos por ele. “Estou sempre atento, tenho um olhar diferente. Penso que tudo pode se transformar. Às vezes, um pedaço de madeira que passa despercebido para os outros vira algo especial. Meu problema é que me apego demais às peças, aí fico com pena de vender”, diz, entre risos.
Por fim, Zasso destaca o gosto pela profissão e pelas peças que produz. “O segredo é gostar do que faz, a minha vida inteira foi em função disso, cresci vendo meu pai, meu avô fazendo isso. Estou sempre pensando em algo que dá para fazer, tem gente que acha estranho, mas eu sou feliz fazendo isso”, finaliza.
É a emissora líder na região da Quarta Colônia de imigração Italiana do Rio Grande do Sul, fundada em 1° de fevereiro de 1975, e sua abrangência cobre todo o território da Quarta Colônia.
Somos uma Emissora segmentada em jornalismo, em especial, Local e Regional, onde procuramos, em conjunto com as forças vivas destes municípios, de forma integrada buscar o desenvolvimento de toda esta Região. Procuramos sempre fazer um rádio propositivo, para mantermos vivo nosso slogan de ser sempre " A Voz da Quarta Colônia".
Tiragem: 2.500 exemplares
Circulação: Agudo, Dona Francisca, Camobi, Faxinal do Soturno, Santa Maria, Ivorá, Nova Palma, São João do Polêsine, Pinhal Grande, Silveira Martins, Restinga Sêca.
É líder em audiência no seu segmento, com abrangência de mais de 40 municípios. Muita musica, entretenimento e interação com o público são suas características e sua audiência e liderança crescem cada vez mais.
Veja a lista de cidades que nossa cobertura de sinal atinge:
Agudo;
Alto Alegre;
Arroio do Tigre;
Boa Vista do Incra;
Caçapava do Sul;
Cacequi;
Cachoeira do Sul;
Campos Borges;
Candelária;
Cerro Branco;
Cruz Alta;
Dilermando de Aguiar;
Dona Francisca;
Encruzilhada do Sul;
Espumoso;
Estância velha;
Faxinal do Soturno;
Formigueiro;
Fortaleza dos Valos;
Ibarama;
Itaara;
Ivorá;
Jacuizinho;
Jaguari;
Jari;
Jóia;
Júlio de Castilhos;
Lagoa Bonita do Sul;
Lagoão;
Mata;
Nova Palma;
Novo Cabrais ;
Paraíso do Sul;
Passa Sete;
Passa Sete;
Pinhal Grande;
Quevedos;
Quinze de Novembro;
Restinga Seca;
Rosário do Sul;
Salto do Jacuí;
Santa Margarida do Sul;
Santa Maria;
Santana da Boa Vista;
São Gabriel;
São João do Polêsine;
São Martinho da Serra;
São Pedro do Sul;
São Sepé;
São Vicente do Sul;
Segredo;
Silveira Martins;
Sobradinho;
Toropi;
Tunas;
Tupanciretã;
Vila Nova do Sul;
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